Vivia trancada num sótão escuro
Vivia imaginando, mas nunca esperando
Algo ou alguém, um acontecimento
Único e primeiro.
E vivia só, por trás de máscaras:
Para olhos, para rostos, para corpos.
Vivia escondida ou vivia escondendo,
Apenas vivendo.
E assim tão de repente,
Um feixe de luz,
Uma brecha numa porta,
Um (en)canto foi surgindo.
Os olhos ardendo, as máscaras caindo,
Um medo, uma aflição.
Por fim a entrega,
De corpo, de alma ,
De todo coração.
Deixando de lado o sótão escuro
Jogando-o às traças,
Abrindo um vão,
Deixando de lado as velhas proteções,
Abrindo espaço para novos ares,
Desvendando velhos mares...
Até beijar o chão.
Beijar, lamber e até morder!
Querer voltar sem nunca ter,
Saído daquele lugar seguro!
Preferindo nunca ter seguido o feixe de luz!
Achando que seria melhor a porta ter ficado trancada,
E não entreaberta!
Por que sair daquele lugar aconchegante?
E estar aqui agora então!
De volta.
E ao olhar tudo em volta,
Parecendo que passou um furacão,
Perceber novamente: – Nunca devia ter saído!
Pra ter de voltar, pra ter de chorar.
IREI ME TRANCAR!
Quero só ver se de agora em diante,
Qualquer feixezinho,
Vai me (a)trair.
E agora eu já estou aqui,
Botando tudo de volta ao seu lugar.
Reconstruindo, colando, pregando.
Velhos quadros, velhos armários
Novos móveis, novos objet(iv)os.
E quando alguém quiser me tirar daqui,
E se um dia alguém quiser me tirar daqui,
Não vai ser mais tão fácil assim.
Terão que achar aquela chave!
Ali bem em cima da mesa!
Na mesa logo ao meu lado!
Porém a porta está trancada,
E a chave está aqui dentro.
A porta não é o único meio de entrar,
Mas a chave é a única maneira para eu sair.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
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