domingo, 29 de abril de 2007

ressaca III

se a cabeça não pensa mais nada e não é por que não se quer
o motivo, ninguém sabe qual, vai fazer voltar
um mergulho fundo nesse vácuo, passam coisas que eu nem lembro mais
enquanto isso volto a ler aquele velho papel onde não acredito em mais nada
no meio de outro caderno tem mais coisa anotada
esperando uma ligação, mais de um dia, nenhum ruído
fora as portas que batem, o burburinho das pessoas em volta, e o silêncio de dentro
falta um barulho, ruído ou coisa que o valha, em ritmo lento ou rápido
me acompanhe nessa contra dança, siga meus passos
e diz se não foi mentira ou jogo de sedução
bota a mão do meu lado, e ouve meu coração

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Sleep children.

Dorme criança, a vida é mais bonita nos sonhos. Tenta não acordar nunca pra ver o que está aqui bem diante dos teus olhos cerrados. Viva seu conto de fadas perfeito, onde o príncipe te trata como tu queres, te trás todos os presentes que desejas, porém que nunca a ele revelastes. Ele lê teus pensamentos. E te acaricia todas as noites para tu dormires em paz. Ele procura saber dos teus medos para afugentar todos, fazendo-te sentir a pessoa mais segura diante do escuro que tanto te amedronta. Tu retribuis com teu sorriso mais sincero e acanhado, e com o teu amor, que é o mais puro e delicado que alguém poderia sentir. Chegas ao castelo dele no meio da tarde, enquanto ele passeia em seu cavalo, surpreendendo-o, e fazendo com que ele se sinta a pessoa mais feliz do mundo, por que é isso que ele é, e é isso o que desejas que ele seja. Mesmo quando por um motivo bobo uma discussão é gerada, não passa de uma discussão para tornar a convivência mais simples, é apenas um aprendizado, nunca mais discutirão pela mesma coisa. A vida é uma só, e o sol nasce todos os dias para um só coração, e todas as estrelas brilham para dois olhos que brilham mais que todas elas juntas, por que vocês se tornaram um só ser. E todos que passam sentem a força disto que é tão forte que só poderia ser vivido em sonho, mas não acorde nunca menina, viva seu eterno sonho encantado e deixe que eu daqui, desperta, tente sonhar que sou tu, porém ao contrário de tu, eu não durmo nunca.

ressaca II

é tudo questão de momento
não é simples, é fato
o tempo faz passar, o tempo
um fetiche ilógico
nem tudo ficou intacto
tantos acontecimentos à favor
nem se arrepender vale
desculpa tive que arranjar, uma desculpa
banhado, de sangue, selado, um pacto
mentira não concordei
nem dormi, e nem acordei
disse nem sei se acredito no amor
setimento?
se sente com o tato
paladar e audição
é tempo de sensação
pouco tempo se esperou
premeditei e nem errei
tudo cronometrado
friamente calculado
sem lamúria nem lamento
até mais, acabou
Sem sentido
Cem sentidos
Adormecidos
E de caídos
A dormidos
Só restaram os feridos
Só ficaramos sabidos

poison

E como se nunca tivese provado o gosto amargo da insegurança
ela bebeu mais um copo e entregou tudo ao destino
aquele mesmo traiçoeiro
tentava esquecer a infinidade de questões
que pairavam sobre todo seu corpo
cada canto singularmente questionava-se.

ressaca I

O problema é que eu, ingênua como ninguém
Ainda tento acreditar que sonhos podem virar realidade
E como ninguém, sempre quebro a cara
Tentei acreditar de novo em palavras confortáveis, convites, consolos.
E novamente não passaram de verbetes ditos ao vento, conjunto de letras sem fundamento.
Me apeguei ao instante, e agora penso, digo outra vez que nunca mais.
Se confio, me entrego e depois se vai?
Só cabe a mim a decisão de não ouvir a voz do coração
Se é que ele ainda fala, o coitado, pergunto e ele se cala
Mas ainda é novo, vai aprender, não só de bons é que se vive
Essa incerteza um dia cessa
Quando deixar a porta aberta, sem nada mais a temer.

sinceramente? não gostei desse.

Uma gota de chuva escorre em meu rosto
E uma cena de um tempo que não volta mais passa em minha memória
Mas a felicidade que sentia não voltou
Como é bom saber o quanto já se foi feliz,
Nada era tudo e qualquer coisa era algo mais.
O dia em tom sépia só pra manter o clima de passado
E o som que toca no rádio também me faz lembrar de um tempo próximo
É tudo lembrança guardada, tá tudo dentro da caixa de papelão da memória
O frio tá entrando pela janela que hoje eu deixei aberta
O céu ta amarelo antes do escuro chegar, pois ele sempre chega
Todo dia ele chega, não muda de tom
Hoje ele chegou as cinco e meia, e levou tudo embora.

Sobre o AMOR!

Amor, o que é o amor HOJE? Uma palavra. Duas vogais, duas consoantes, unidas. Amor lembra união. Será? União seriam alguns segundos, minutos, anos, décadas? Que tipo de união representa, agora, o amor? Muitas perguntas, mas não fujamos da questão inicial. O que é o amor, hoje? Ele já foi motivo para brigas, para declarações, provas, guerras... Acima de tudo o amor é um sentimento. Existe resposta mais lógica? Há quem diga que ele é uma sensação, afirmação mais propicia aos nascidos em décadas próximas. Mais fácil seria dizer que o amor é algo inexplicável. Porém estou em momentos de explicar até o inexplicável. No ápice da minha visão de século vinte e um, o substantivo “amor” está diretamente ligado ao verbo “vulgar”. Sendo eu, neste exato momento, o Jesus Cristo e minhas palavras, a Maria Madalena : que atire a primeira pedra quem nunca fez essa ligação. É tempo de liberação sexual! Emancipação feminina! Globalização! São acontecimentos essenciais, certo? Têm sua parcela positiva. Mas, é mesmo necessário que o amor, o verdadeiro significado e atitudes relacionadas a ele, suma assim? Chegando ao ponto que só você realmente garimpando a fundo num seleto grupo de pessoas é capaz de encontrar uma AINDA crente no amor? Estou quase me propondo ser a precursora de uma religião. Não fale em nome do Amor em vão.(isso não era momento para rimas). Jamais pregarei contra os libertinos. Mas que deixem os credores livres. É com pesar que sou obrigada a admitir que no fundo, no fundo, todos nós queremos a nossa lasquinha da maçã. Aqui vai um incentivo: fo(^)da, mas faça isso com amor. Sem trocar essa “palavra” por tesão, viagem, desejo... Beije da mesma maneira. Amor tem união, e união deveria ter amor. Quando me perguntam se eu creio em Deus, eu respondo que não. Mas sem querer ser pretensiosa, acho que acredito em algo muito maior : I believe in a thing called love!

Trancada

Vivia trancada num sótão escuro
Vivia imaginando, mas nunca esperando
Algo ou alguém, um acontecimento
Único e primeiro.
E vivia só, por trás de máscaras:
Para olhos, para rostos, para corpos.
Vivia escondida ou vivia escondendo,
Apenas vivendo.
E assim tão de repente,
Um feixe de luz,
Uma brecha numa porta,
Um (en)canto foi surgindo.
Os olhos ardendo, as máscaras caindo,
Um medo, uma aflição.
Por fim a entrega,
De corpo, de alma ,
De todo coração.
Deixando de lado o sótão escuro
Jogando-o às traças,
Abrindo um vão,
Deixando de lado as velhas proteções,
Abrindo espaço para novos ares,
Desvendando velhos mares...
Até beijar o chão.
Beijar, lamber e até morder!
Querer voltar sem nunca ter,
Saído daquele lugar seguro!
Preferindo nunca ter seguido o feixe de luz!
Achando que seria melhor a porta ter ficado trancada,
E não entreaberta!
Por que sair daquele lugar aconchegante?
E estar aqui agora então!
De volta.
E ao olhar tudo em volta,
Parecendo que passou um furacão,
Perceber novamente: – Nunca devia ter saído!
Pra ter de voltar, pra ter de chorar.
IREI ME TRANCAR!
Quero só ver se de agora em diante,
Qualquer feixezinho,
Vai me (a)trair.
E agora eu já estou aqui,
Botando tudo de volta ao seu lugar.
Reconstruindo, colando, pregando.
Velhos quadros, velhos armários
Novos móveis, novos objet(iv)os.
E quando alguém quiser me tirar daqui,
E se um dia alguém quiser me tirar daqui,
Não vai ser mais tão fácil assim.
Terão que achar aquela chave!
Ali bem em cima da mesa!
Na mesa logo ao meu lado!
Porém a porta está trancada,
E a chave está aqui dentro.
A porta não é o único meio de entrar,
Mas a chave é a única maneira para eu sair.

domingo, 8 de abril de 2007

com salto agulha.

e assim eu pisarei no seu coração
como me fez alguémem tempos não tão distantes
destruindo o que jamais deveria ter sido destruído
quebrando um dos mais belos sentimentos existentes
por motivos banais
e assim eu tentarei não te fazer o mesmo
mesmo que o mesmo venha a me fazer bem
porém às vezes é bom sentir o gosto do próprio veneno
alguém se encarregará de fazer isso por mim...

esconde- esconde

Partiu pra cima dela, várias palavras depois daqueles dias
O desfecho foi só o começo da angústia de toda a vida, até se desfazer,
correndo a passos curtos, porém rápidos
será capaz de vencer o tempo?
Você saberá, eu sei, um dia
e nesse dia a culpa já não tem dono
seu sono vai dormir no chão de tanto que sua cabeça já dói,
dencanse em paz.
Mas aproveite os momentos precedentes, enquanto ele ainda não tem fim.
E dentro de um corpo quase sem vida
volta a bater um coração aflito.
Por alguns momentos estável.
Uma breve sensação de leveza
acaba por sobrepor todo aquele medo.

Em outro instante já imóvel.
O coração não se importa.
Quem se importaria?
Com este corpo quase sem vida.
Quem se importa se ele voltou a bater?

Apenas leia o manual,
saiba como manuseá-lo,
não o utilize para outros fins
que não para os quais ele foi criado.

Mantendo o ritmo cardíaco
alimentando um suposto vício,
querendo evitar o inevitável.
Deixando os sonhos de lado.

E o coração se mantém
a bater sem querer saber.
Se uma taquicardia repentina
toma conta desse músculo.

E se como em qualquer outro músculo
uma cãimbra dele se apossar.
Não volte a reativá-lo,
e se nada reanimá-lo,
leia a última página do manual,
e descubra que nada lá foi escrito,
pois corações não têm manual.

E eu? Eu morrerei desse mal.