Se passa aqui dentro,
dá um passeio, vagueia pelas minhas artérias
descobre o que há de errado que não me faz ser comum
que não me faz agir ou pensar como as demais da minha espécie
percorre pela minha epiderme e vê os hematomas que meus olhos já não são mais capazes
sai
e leva contigo minha pele que é o que onde me escondo
leva junto todo o que os outros gostam de ver e que não me dá nenhum prazer em mostrar
tudo ilusão
tenho nojo desse corpo que só obedece ordens
esse corpo que não responde por si só
precisa receber mensagens ínfimas para fazer qualquer coisa
tenho nojo dessa pele gasta, tocada, desprezada, queimada, rasgada, arranhada
essa pele coberta por sebos, óleos, ácidos, infusões,
apenas para se adequar
arranque ela toda fora para que se enxergue a verdade
e, por favor
mande não inventarem mais nada que a esconda
e me deixe
no escuro
que eu preciso ter medo
preciso ter medo
de mim e de você
para nunca mais precisar de mim
nem de você.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Tem algo aí?
Sinto meu coração cada vez menos aqui
e cada vez mais ali, descendo, escorrendo pelos outros órgão do corpo
dentro do estômago tomando um banho de suco gástrico,
derretendo
dando voltas no intestino
acariciando suas paredes
até ser jogado fora.
Numa privada suja
de um banheiro qualquer
misturado a outros tantos excrementos
e talvez tantos outros corações
que vagueiam pelas tubulações mal cuidadas da cidade
esperando chegar num lugar onde retomará seus batimentos
na esperança de chegar a algum lugar.
e cada vez mais ali, descendo, escorrendo pelos outros órgão do corpo
dentro do estômago tomando um banho de suco gástrico,
derretendo
dando voltas no intestino
acariciando suas paredes
até ser jogado fora.
Numa privada suja
de um banheiro qualquer
misturado a outros tantos excrementos
e talvez tantos outros corações
que vagueiam pelas tubulações mal cuidadas da cidade
esperando chegar num lugar onde retomará seus batimentos
na esperança de chegar a algum lugar.
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