Comecei a correr
queria ir além das pernas
sentir o vento, ativar o calcanhar
Aquele de Aquiles, que voa...
Voar, isso, eu só queria voar, mas não como nos meus sonhos
é que nos meus sonhos eu vôo nadando... Sim! Imagine-se numa piscina, imitando um sapo. É isso.
Eu vôo assim, nos meus sonhos, e eu não queria voar assim.
Quero voar com os pés, e só sentir o vento em meu rosto, saber que está tudo passando
e...
tudo passou e eu não fiz nada
as coisas voavam mais rápido que eu, até se eu ficasse parada, sem voar, sem calcanhar nenhum, tudo passaria tão rápido
mas foi aí, foi nessa hora que eu me dei conta: Estou parada - eu percebi.
Havia tropeçado, caído e me encontrava no chão, enquanto todos os outro calcanhares, pés, cabeças, peitos, bundas, coxas e assim por diante passavam diante de mim.
Eu via, era só o que eu conseguia ver, era só o que queriam que eu visse.
Até que flutuou, veio até mim, suavemente, não voava como as outras coisas, deslizava no ar, e ele ria. O ar. De tão leve, e tão suave, lhe fazia cócegas.
Me circundou, me sentiu, me fez até rir, tão leve me tocava, nem sei se me tocava, só sei que eu podia sentir ali.
Fui levantando aos poucos, o ar parecia ter parado pra prestar atenção, já não passava rápido, as coisas... não lembro mais das coisas, de nada passando por mim, não via mais nada, sentia, sentia que eu podia flutuar.
E flutuar não era como voar, não era mesmo, flutuar não requeria grandes esforços, nem competições, era como um circuito invisível dentro da área de vôo.
Fui flutuando, sendo levada, até onde não sabia, se ia parar, se ia olhar, se ia cair.
Flutuava e sentia, flutuando.
terça-feira, 8 de junho de 2010
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Um comentário:
leve, bem leve o texto
é engraçado como a gente se engana, às vezes, que está flutuando sem realmente estar... porque quando estamos é tão óbivo de perceber que estamos, né?
as dúvidas se dissipam.
Beijo!
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